SOBRE MIM

Senta que lá vem história

Minha história

Acabei a residência de Anestesiologia em 2011 e comecei a trabalhar em um hospital oncológico em São Paulo. Nos primeiros meses, acabei assumindo o Departamento de Qualidade do meu grupo de anestesia.

Desde 2004 todas as informações das anestesias realizadas eram cadastradas em um banco de dados e indicadores de qualidade eram seguidos rigorosamente mês a mês.

Confesso que levei quase 3 anos para entender o papel dos indicadores, das acreditações hospitalares e o que é de fato a Segurança do Paciente. O ponto da virada foi um congresso americano, o Patient Safety Movement Summit, do qual participei muito por acaso em 2014. Este congresso tinha a missão audaciosa de zerar o número de mortes evitáveis até o ano de 2020 e, para isso, reunia em seu congresso anual todos os stakeholders da saúde em busca de soluções. O contato com uma mãe que perdeu sua filha por uma overdose de medicamento após a cirurgia abriu meus olhos para o real impacto de uma falha assistencial: nós destruímos uma família.

Neste mesmo congresso encontrei o Dr. Enis Donizetti, anestesiologista, que também ficou tocado com todos os relatos de familiares que havíamos escutado no dia anterior. Éramos os únicos brasileiros no evento. Decidimos então fundar a Fundação para Segurança do Paciente em 2015, uma organização sem fins lucrativos, que tem por objetivo engajar pacientes e familiares em seus cuidados para que também possam participar da segurança do paciente.

Paralelamente conclui meu MBA de Gestão em Saúde no INSPER e comecei a me aprofundar mais na Segurança do Paciente e no Design Thinking através de cursos e congressos.
Através da análise de dados do meu grupo de anestesia, implementamos uma série de melhorias para manejo de via aérea, segurança de medicamentos, melhora das notificações e monitorização adequada dos pacientes. Este último, rendeu uma publicação científica pois reduzimos em 50% a taxa de delirium dos pacientes submetidos a cirurgia abdominal aberta.

Estes bons resultados renderam um convite para ajudar o hospital a construir uma cultura analítica com o corpo clínico. Desde 2018 dedico parte do meu tempo como Assessora da Gestão da Prática Médica no A.C. Camargo Cancer Center, analisando dados, implementando ciclos de melhoria e trabalhando com outras áreas para tornar os nossos tratamentos cada vez mais custo-efetivos.

No ano de 2020, formei-me como Especialista em Melhoria Contínua pelo Institute for Healthcare Improvement e arrisquei-me a fazer uma viagem de avião em meio a pandemia para gravar a aula de Gestão da Segurança na Saúde , como professora convidada do MBA de Gestão, Inovação e Serviços em Saúde da PUCRS.

Muita coisa aconteceu nestes 10 anos. A Aline de hoje é uma profissional melhor, mais humana e mais consciente do desafio diário que é proporcionar a segurança de nossos pacientes. O desafio é grande, só não é maior do que a minha vontade de contribuir para um sistema de saúde seguro.